Onde ver e ouvir jazz no Recife

Entre Amigos / por Angelo Mongiovi / Foto: Divulgação

 

Pernambuco, inquestionavelmente, é considerado um dos Estados mais ricos, plurais e diferenciados do Brasil em termos culturais. Lançamos moda, comportamento e estética para todo o País, principalmente nos cenários artísticos. E cada vez mais os seres antenados do eixo Sul/Sudeste têm admirado o estilo de vida e das pessoas da nossa capital, o Recife. Inserida neste contexto de multiculturalidade também está a cena do jazz e da música instrumental.

Apesar de fundamentado como linguagem musical norte-americana, o jazz assumiu no Recife uma forma peculiar de interpretação mediante a fricção de musicalidades com os estilos musicais locais, como o frevo, o baião e o maracatu, por exemplo. Assim encontramos grupos e artistas que desenvolvem seus trabalhos nos mais variados estilos, desde o jazz mais tradicional ao jazz mais experimental. Do mais americano ao jazz mais brasileiro. Do instrumental ao vocal.

Muitos recifenses se dizem fãs do jazz. Mas alguns, por falta de informação, deixam de frequentar os vários bares, restaurantes e pubs que abrem suas portas ao jazz e à música instrumental. Esse guia rápido busca informar quais os locais e artistas que mantêm suas agendas regulares de música ao vivo focados nesse estilo. Levo em consideração as temporadas que aconteceram em 2019 e que prometem se estender por este ano de 2020.

Entre Amigos / Fotos: Divulgação

 

Entre Amigos Praia

Localizado na orla da Praia do Pina, o restaurante Entre Amigos Praia é uma ótima opção para turistas, visto que a maior parte dos hotéis da cidade estão nos bairros do Pina e de Boa Viagem, mas também para os locais que pretendem ter acesso a uma boa gastronomia de frutos do mar, cerveja artesanal e aproveitar um ambiente costeiro. Não obstante aqueles que desejam curtir uma boa música encontram todas as quintas e sextas-feiras da semana o grupo Arthur Philipe & Quintessence, liderado pelo crooner Arthur Philipe.

O conjunto contempla um repertório mais tradicional de jazz standards, principalmente os temas que ficaram famosos na voz de Frank Sinatra, Nat King Cole, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald. Mas também a bossa nova de Tom Jobim, Johnny Alf, Marcos Valle e a MPB de Chico Buarque, Edu Lobo, Djavan, dentre outros. O local tem uma rotatividade de músicos convidados e por lá já passaram muitos dos melhores instrumentistas da cidade.

Barchef / Mongiovi Trio

 

Barchef

O restaurante, bar e mercado Barchef, localizado ao lado da entrada principal do RioMar Shopping, oferece aos clientes boa gastronomia, ótima carta de vinhos, drinques e promoções na happy-hour, além de música ao vivo com jazz instrumental, todas as quartas-feiras da semana. A temporada, que chega a seu terceiro ano consecutivo, teve início com a Contrabanda, do maestro Edson Rodrigues, e, desde o ano passado, compartilhada quinzenalmente com o Mongiovi Trio, liderado pelo guitarrista Dom Angelo Mongiovi.

A Contrabanda mantém seu repertório e estilos em uma linha mais tradicional do jazz e dialoga com o frevo e com estilos associados aos bailes de antigamente, como boleros, samba-canções e temas românticos. Em contraponto, o guitarrista Dom Angelo Mongiovi leva seu repertório para outros caminhos, contemplando jazz standards e bossa nova, além de releituras do pop e da MPB e temas autorais em uma performance musical mais contemporânea.

Casbah Henrique Albino / Foto: Sara Lopes

Casbah

De um ambiente típico dos bares do Sítio Histórico de Olinda, o Casbah oferece música ao vivo diariamente em sua agenda. Os estilos são variados, apesar dos grupos de forró e dos artistas autorais serem os mais contemplados. Mesmo assim, aquele clima original olinda style sempre está no ar. Quase caído de paraquedas, o multi-instrumentista Henrique Albino comanda uma vez por mês, sempre em uma quarta-feira, uma das noites mais cool e experimentais da região com sua Albino’s Jam.

A ideia é que os músicos levem suas partituras com temas autorais e que a criação, arranjo e performance aconteça ali, no ato, quase um happening. Muitos dos principais instrumentistas da cidade já apareceram por lá e o músico Henrique Albino vai se firmando como um dos principais artistas de jazz e música instrumental das últimas décadas em Pernambuco.

Paço do Frevo / Foto: Andréa Rego Barros

 

Paço do Frevo

Desde sua inauguração, até os dias atuais, o Paço do Frevo é um dos centros multiculturais mais importantes de Pernambuco (quiçá do Brasil), para nossa música popular. Surgido de uma iniciativa governamental, o local abriga museu, acervo histórico, cursos e pesquisas, além de concertos regulares no projeto chamado Hora do Frevo, que acontece, todas as sextas-feiras, ao meio dia.

Os shows são gratuitos e já passaram por lá alguns dos principais nomes do jazz e da música instrumental do Estado, como Spok, Marco César, Amaro Freitas, Luciano Magno, César Michiles, Bráulio Araújo e Henrique Albino, além de nomes nacionais e internacionais como Hamilton de Holanda, Nicolas Krassik, Mai Taguchi e Blair McMillen, dentre outros. Apesar da programação não estar diretamente ligada ao jazz, a prática da improvisação e da perspectiva performática deste estilo estão bastante presentes nos artistas que fazem a música instrumental popular do Estado. Portanto, os entusiastas do jazz não irão se decepcionar com a ótima programação musical que sempre acontece no Paço do Frevo.

Também poderiam ser citados espaços como: A CavernaFabbrique PastifícioPitaco Bar, Poço das Artes, Café Liberal, Canela Gastrobar e Coco Bambu, dentre outros. Mas, apesar de baseado em critérios subjetivos, indiquei os locais e artistas que, de alguma forma, contribuem com regularidade e relevância para o cenário jazzístico da cidade, podendo haver ocasiões também interessantes nesses locais, apesar de pontuais.

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