Nana Caymmi dá voz às ilusões de Tito Madi em álbum especial

Nana Caymmi / Foto: Lívio Campos / Divulgação

 

Foi lançado recentemente o primeiro álbum solo em uma década, Nana Caymmi oferece exatamente o que se pode esperar atualmente dessa cantora carioca que fará 78 anos em 29 de abril deste ano de 2019. Como o título já explicita, Nana Caymmi canta Tito Madi é songbook dedicado à obra de Chauki Maddi, compositor, cantor e pianista paulista que se embrenhou com sofisticação no geralmente magoado universo do samba-canção. Nana presta a Madi o tributo que Claudette Soares fez há 43 anos no álbum Fiz do amor o meu canto (1976), que Roberto Carlos chegou a anunciar que faria (mas nunca fez) e que Emilio Santiago não teve tempo de fazer.

Sem procurar impressionar, Nana Caymmi dá voz às ilusões e paixões de Tito Madi em atmosfera clássica, tão refinada quanto previsível. A previsibilidade era esperada até pelo fato de o disco ter sido produzido por José Milton, com quem Nana trabalha há 25 anos em parceria fonográfica iniciada em 1994 com outro songbook – no caso, um disco dedicado ao cancioneiro da compositora carioca Dolores Duran.

Dentro desse universo tradicional, Nana solta a voz visceral, ainda em forma, com arranjos que gravitam na cadência do samba-canção, vizinha do bolero que pautou os arranjos do último álbum solo da intérprete, Sem poupar coração (2009). Mesmo com os arranjos divididos entre o pianista Cristovão Bastos e o violonista Dori Caymmi, o álbum Nana Caymmi canta Tito Madi conserva unidade traduzida em certa (inevitável), linearidade, já que as músicas de Tito Madi versam quase sempre sobre as mesmas dores de amores. Um luxo!

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