Guia de cores dos alimentos ajuda na criação de um cardápio saudável com combinações que combatem o câncer

Foto: Divulgação

 

Hipócrates, filósofo grego e conhecido como “pai da medicina”, já afirmou: “Que seu remédio seja seu alimento e que seu alimento seja seu remédio”. Atualmente, as pesquisas já demonstram que os alimentos naturais (não processados), têm propriedades preventivas e curativas. Ou seja, alguns deles, se ingeridos na quantidade e maneira corretas, são verdadeiros aliados para a saúde. Coloridos, saborosos e bonitos, verduras, legumes e frutas são capazes de nutrir e melhorar as funções do corpo, fortalecer o organismo e ainda proteger contra diversas doenças.

Uma das recomendações de médicos e nutricionistas é montar um prato colorido e diversificado, isso porque a variedade de nutrientes contribui para evitar a deficiência de vitaminas e minerais. “As cores dos alimentos representam os benefícios que eles trazem ao nosso organismo. As antocianinas, carotenoides dentre outros são compostos antioxidantes, que fazem bem a saúde e são responsáveis por fornecer cor, aroma e sabor aos alimentos”, explica a nutricionista Eryka Santos, do Grupo Oncoclínicas.

Os compostos citados pela nutricionista fazem parte de uma categoria de nutrientes, conhecidos como fitoquímicos. Encontrados em alimentos de origem vegetal, eles não se enquadram como vitaminas e nem minerais. São compostos presentes nas plantas que as ajudam a ter suas distintas cores e características. “A clorofila e o betacaroteno são os fitoquímicos mais conhecidos. O primeiro está presente nos alimentos verdes, como espinafre, couve e abacate, e é conhecido por fortalecer os mecanismos de defesa. Já o segundo se encontra nos alimentos amarelos ou laranjas, como no caso da cenoura, ele ganhou fama por ajudar a manter o bronzeado da pele”, destaca.

Como contribuição na missão de criar um cardápio para o dia a dia, o corpo clínico e equipe de nutrição do Grupo Oncoclínicas elaboraram um guia completo voltado ao público em geral que contribuí para uma alimentação saudável e traz também dicas práticas para pacientes em tratamento do câncer. Essas informações estão disponíveis no www.movimentopelavida.com.br, onde também está disponível para download o ebook contendo 30 sugestões de receitas.

Reforço no combate ao câncer:

Para Maurício Viana, oncologista do Grupo Oncoclínicas, não existe um superalimento que sozinho previna ou combata o câncer. “O ideal é realizar uma combinação de alimentos ricos em nutrientes com propriedades anti-inflamatórias, reforçando o sistema imunológico e auxiliando na redução de radicais livres. Hoje está provado cientificamente que dieta saudável aliada a exercícios físicos podem prevenir o surgimento de câncer e diminuir a chance de recaída para aqueles pacientes em tratamento”. Segundo ele, de forma geral, apesar dos mais variados tons que devem fazer parte da rotina de ingestão alimentar, há alguns grupos em especial que devem ter sua ingestão reforçada. “Os alimentos verdes, roxos e vermelhos são os mais recomendados, devido a sua propriedade antioxidante”.

O especialista ainda propõe inserir o gengibre na dieta para auxiliar no controle de náuseas para aqueles pacientes em quimioterapia. Evite uso de chás e misturas de ervas sem comunicar previamente seu medico. Tais misturas caseiras, sem orientação médica adequada, podem ser perigosas e interferir inclusive com o tratamento que está sendo realizado. Os alimentos com certeza auxiliam no tratamento, porem é fundamental seguir as orientações do nutricionista e do médico para que o paciente obtenha todos os benefícios de uma alimentação anticâncer.

Na prática:

Um prato ideal deve conter no mínimo três cores diferentes para fornecer todos os nutrientes necessários. Priorizar alimentos crus e recém-preparados também é fundamental para evitar que eles percam suas propriedades. “Ao consumir um suco feito três horas antes, ele já perdeu 80% dos nutrientes. Com a correria do dia a dia, uma boa opção é realizar o congelamento instantâneo, que conserva 99% das vitaminas”, diz a nutricionista Eryka Santos.

Para aqueles que têm dificuldades em conseguir manter uma refeição diversificada, a dica é começar aos poucos, adicionando uma cor de cada vez, como uma salada crua ou um vegetal cozido, ou ainda misturar o alimento em outras preparações, como um suflê de legumes, por exemplo. “O paladar é adaptável e, aos poucos, criando hábito, o consumo começa a ser ampliado. Outra sugestão é não se deixar limitar e experimentar novos sabores”, frisa.

Pantone dos alimentos:

Brancos e amarelos – Esses alimentos são ricos em cálcio, potássio, vitamina C e outras substâncias. Nesta categoria entram Leite, Cogumelo, Queijo, Arroz, Batata, Banana, Couve-flor e Maracujá. “O cálcio e o potássio contribuem para a formação e manutenção dos ossos, para a regulação dos batimentos cardíacos e para o funcionamento do sistema nervoso e dos músculos. Possuem efeito anti-inflamatório e antialérgico, propriedades antibióticas e ainda ajudam a prevenir doenças cardiovasculares e a reduzir o LDL colesterol”, comenta Eryka.

A especialista ressalta que as frutas mais ácidas e cítricas são fontes importantes de vitamina C, responsável por diversos benefícios, entre eles o aumento da imunidade a doenças. “Os alimentos amarelos também possuem ácido málico e bromelina, que melhoram a digestão e combatem a prisão de ventre”, diz.

Laranja – Neste grupo entram os alimentos que possuem carotenoides, substâncias que incluem betacaroteno, responsável pela fabricação de vitamina A no nosso corpo. Abóbora, Pêssego, Cenoura, Damasco, Laranja, Manga, Mamão e Batata-doce compõem esta categoria. “Eles são antioxidantes e favorecem o metabolismo das gorduras, ajudam no funcionamento dos glóbulos brancos, fundamentais para um sistema imunológico saudável, promovem o crescimento ósseo e colaboram na regulação do crescimento, na divisão celular e no funcionamento do sistema nervoso”, ressalta Eryka.

A especialista ainda acrescenta que a curcumina, princípio ativo do açafrão, tem sido extensivamente investigada no tratamento de uma grande variedade de cânceres. São eles: gastrointestinais, geniturinários, mama, pulmão e neurológicos. A vitamina A e dois outros tipos de carotenoides – a luteína e a zeaxantina – também são importantes para o bom funcionamento da visão, para o viço e o bronzeamento da pele, e para a força dos cabelos e das unhas.

Vermelhos – O time vermelho conta com alimentos que possuem vitaminas A, C e as do complexo B, além de sais minerais, como ácido fólico, potássio e cálcio. Aqui entram Tomate, Caqui, Melancia, Goiaba, Cereja, Pimentão, Morango e Framboesa. “Os alimentos pertencentes a esse grupo são também chamadas de alimentos quimioprotetores, pois tem a capacidade de prevenir, retardar ou até reverter processos iniciais de formação do câncer, atuando como fatores de proteção do corpo. Além disso, contribuem na eliminação do estresse oxidativo. Seu consumo diário reduz os riscos de desenvolver doenças como câncer de próstata e de pulmão, além de atuar na prevenção de diabetes, Alzheimer e Parkinson”, afirma o oncologista Maurício Viana.

Roxos – Fontes de vitamina B1, nutriente importante para o metabolismo da glucose, os alimentos roxos também contêm os famosos flavonoides. Uva, Berinjela, Amora, Ameixa, Figo, Beterraba, Jabuticaba e até um bom Vinho fazem parte dessa categoria. Essas delícias são ricas em ácido elágico e quercetina, que diminuem os riscos de ataques cardíacos, retardam o envelhecimento e neutralizam as substâncias cancerígenas antes mesmo de elas atingirem os nossos códigos genéticos. “Os flavonoides contribuem para a manutenção da função cerebral adequada, melhoram o fluxo sanguíneo, retardam o envelhecimento das células e ainda possuem propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, anticancerígenas, anti-hepatotóxica e atividades antimicrobiana e antiviral”, frisa Eryka.

Verdes – Espinafre, Alface, Agrião, Abacate, Couve, Abobrinha, Manjericão e Pimentão. Esses e muitos outros alimentos verdes contêm micronutrientes valiosos para a saúde, como ferro, fósforo, clorofila, vitamina A e outras. “O ferro é essencial para a boa estruturação sanguínea. Ele fortalece o sangue e combate a anemia e a desnutrição, eliminando o cansaço. O fósforo, por sua vez, ajuda no fortalecimento dos ossos e dos dentes”, explica Maurício. “A vitamina A e a clorofila têm ação antibacteriana e cicatrizante, desintoxicam as células, combatem o crescimento de tumores e ajudam a proteger o coração, o cabelo e a pele”, completa o médico.

Marrons – Esses alimentos maravilhosos também são ricos em selênio, que melhora a disposição mental, e ainda contêm, vitamina E e vitaminas do complexo B – nutrientes vitais para a nossa saúde. Entre os componentes dessa turma estão Aveia, Cevada, Nozes, Centeio, Castanhas, Cereais, Linhaça e Grãos. “São excelentes fontes de carboidrato complexo, substâncias que levam mais tempo para serem transformadas em açúcar pelo nosso organismo, promovendo maior saciedade.

Eles também melhoram o funcionamento do intestino, combatem a depressão e a ansiedade e previnem doenças crônicas, como Alzheimer, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer”, conta Eryka. A nutricionista explica ainda que não podemos deixar de lado certos tipos de gorduras insaturadas presentes nestes alimentos, como os ácidos graxos – o ômega 3 e o ômega 6. “Eles são essenciais na regulação do colesterol, para manter uma pele saudável, para o crescimento das crianças e para o transporte e a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K e dos carotenoides”, finaliza.

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